segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

As aventuras de um ipanemense na Gávea (1)

Depois de 31 anos desfrutando Ipanema, lá vou eu morar na Gávea. Antes que pensem que isto é uma reclamação, informo que a Gávea sempre foi o segundo bairro carioca na minha preferência. E, a bem da verdade, não é que eu vá morar na tradicional Gávea, é mais precisamente no Baixo-Gávea. Se você não conhece o Rio, dê um google nos bares, restaurantes e botequins do Baixo-Gávea e compreenderá que eu tenho um grande futuro pela frente.

Ainda não mudei mas a diversão já começou ao descobrir que terei como porteiros os irmãos Genézio e Genázio, a quem apelidei de "É" e "Á". "É" é o do dia e "Á" é o da noite.

Descobri também muitas semelhanças com o meu local em Ipa. Aqui tenho a praça General Osório ao lado, lá terei a praça Santos Dummont na frente. Aqui uma estação do Metrô na porta, lá um ponto do ônibus do Metrô na porta. Aqui um supermercado Zona Sul ao lado, lá um Zona Sul em frente. Aqui, feira livre na praça às terças, lá às sextas. Aqui, comércio de bairro em volta, lá idem e mais dois shoppings. Só ficou faltando a praia, mas pra compensar ganhei o Jardim Botânico ao lado e o Jockey Club em frente. Se bem que a praia do Leblon fica logo ali...

Ponto a favor: da minha sala, verei a Pedra da Gávea e o Morro Dois Irmãos à direita, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Morro dos Cabritos à esquerda e, embora não dê pra ver o mar, as ilhas Cagarras serão visíveis bem em frente.

Ponto contra: internamente, o apê é menor que o atual. Um quarto a menos e uma sala com metade do tamanho. Mas graças ao meus tempos de decorador, os espaços continuarão amplos e só terei que diminuir o rack da tv & som e trocar um sofá de três lugares para um de dois.

Amanhã começa a mudança. Os caras vêm cedo pra desmontar, empacotar, encaixotar e empilhar dezessete anos da minha vida. Depois de amanhã, eles voltam aqui e vão mudar tudo lá pra Gávea, desempilhando, desempacotando, desencaixotando e remontando tudo de novo.

Aí, sim, vai começar pra valer a aventura do ipanemense na Gávea.

E eu volto aqui pra contar tim-tim por tim-tim. A começar por "É" e por "Á".

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Se desliga, cara!

Você aí, que vive ligado nos notes, nos nets, nos tablets, nos smarts, nas redes, vê se se desliga um pouco. A vida real também é o maior barato!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando o futebol brasileiro era bom

Quando o futebol brasileiro era bom, o Nilton Santos foi avançando ao ataque, foi avançando, avançando e, enquanto o treinador Feola gritava "Volta Nilton, volta Nilton!", fez um gol contra a Áustria na Copa 1958.

Quando o futebol brasileiro era bom, o Pelé reserva do Dida, o Garrincha reserva do Julinho e o Vavá reserva do Mazola passaram a titulares na Copa 1958 porque os jogadores Nilton Santos e Zito, entre outros, botaram o treinador Feola contra a parede: "ou eles entram ou a gente perde esta merda".

Quando o futebol brasileiro era bom, o treinador Tim, do Fluminense, armou sua mesa de botões pra mostrar aos jogadores as suas posições no campo contra o Flamengo. O atacante Rodrigo, vendo seu "botão" na intermediária, empurrou-o para a marca do pênalti e, batendo várias vezes com o dedo sobre o botão, sentenciou: "É aqui! É aqui que eu jogo!"

Quando o futebol brasileiro era bom, o Clodoaldo combinou mudar de posição com o Gérson – contra a ordem do treinador Zagallo - e marcou o gol de empate na semi-final da Copa 1970 contra o Uruguai. O Brasil foi à final e ganhou o tri-campeonato.

Quando o futebol brasileiro era bom, a Democracia Corintiana foi bi-campeã paulista em 1982 e 1983 com a auto-gestão dos jogadores, liderados por Sócrates, Zenon, Vladimir, Zé Maria e Biro-Biro, sem que ninguém consiga se lembrar quem foram os treinadores (*).

Quando o futebol brasileiro era bom, o Paulo César Carpeggiani pendurou as chuteiras e imediatamente foi ser treinador dos seus ex-companheiros de Flamengo: Zico, Leandro, Junior, Tita, Adílio, Andrade etc. Distribuiu as camisas e disse: "Joguem!". O Flamengo foi Campeão do Mundo Interclubes em 1982.

Estes e muitos outros exemplos da história do nosso futebol marcam um tempo em que os jogadores comandavam o espetáculo e a importância dos treinadores era secundária. Naqueles tempos, o futebol brasileiro era bom.

Hoje temos os 'professores', inflados na beira do campo, cheios de verborragia, munidos de aparatos eletrônicos espetaculosos e armados na disciplina militar (obedeça ou obedeça), que só servem pra dar aparência nobre à sua incapacidade cada dia mais nítida.



O atual ‘professor-mor’ Mano Menezes, no seu futebolês, propagandeia que a 'modernização' da Seleção Brasileira passa pela convocação dos craques "desde que eles se adaptem aos ‘nossos’ métodos, esquemas, sistemas, normas e projetos." Quer dizer, ele quer craques mas não quer que joguem como craques.

O futebol brasileiro não pode depender dos ‘professores’, como nunca dependeu dos treinadores. O futebol brasileiro precisa é que não atrapalhem os nossos craques que querem jogar sua bola. Resumindo: nestes tempos de ‘professores’ o grito da torcida é sempre “Burro! Burro!”, no tempo dos jogadores o grito era “Brasil! Brasil!”. Isto explica tudo.

(*) Mario Travaglini e Zé Maria foram os treinadores

terça-feira, 28 de junho de 2011

E você não acredita em conexão espiritual, né?

Deu no Daily Mail de 15 de março:

A volta do pesadelo: a deprimente destruição de Hiroshima repetida nas imagens dos rastros do tsunami.



(legenda das fotos) "1945 à esquerda e 2011 à direita: Os santuários xintoístas representam a conexão espiritual entre o povo e a terra. Os tradicionais portões Torii de entrada a estes santuários estão entre as poucas estruturas a sobreviver em Hiroshima há 66 anos e na aldeia de Otsuchi na última sexta-feira."

Por favor, céticos, qual é a parte da Engenharia que explica isso?